NADA MAIS SERÁ COMO ANTES
Está faltando amor dentro das famílias. Mas as coisas não são tão simples assim.
Quando éramos crianças nossas mães ficavam em casa nos educando, cuidando, ensinando, mostrando, chamando a atenção e, por que não, batendo. Nossos pais trabalhavam o dia todo.
Ganhavam pouco, mas em contrapartida nós tínhamos frutas, verduras, galinhas, cabritos e porcos nos grandes quintais da época, que ajudavam em nosso sustento e dessa forma o que nossos pais ganhavam era para arroz, feijão e outras poucas coisas.
Não tínhamos fartura, mas nunca passávamos fome. Nunca faltou o pão e a polenta, assim como o café com pão à tarde. Sempre estávamos ao alcance dos olhos ou da voz da mãe e quando o pai chegava do serviço íamos fuçar nos seus bolsos, coisa que ele não só deixava, como esperava, que fizéssemos, para pegar as balas que ele trazia pra gente.
Aos domingos lá íamos todos de mãos dadas com o pai à igreja. O amor, que nem sabíamos que era amor, fluía. Brigávamos, mas sem ódio e a raiva passava em cinco minutos e o amor norteava todos.
Nossos remédios eram as ervas que a mãe pegava no quintal e devia ser bom, pois, sempre curava e ninguém morreu.
Um dia, depois de muito tempo, recebemos a luz elétrica. A rua iluminou-se, a casa iluminou-se, a vida iluminou-se. O pai comprou um rádio. Um radião grande. marca Cruzeiro.
A mãe o deixava ligado o dia inteiro, enquanto cuidava dos afazeres da casa. A gente ouvia “PRESIDIO DE MULHERES” que entre outras coisas, apresentava a novela Direito de Nascer e Revista do Rádio à tarde, Ave Maria as l8h00, seguido de Gerônimo Herói do Sertão. À noite, quando era o dia, todos ficavam em volta do rádio ouvindo Balança Mas Não Cai. Nunca me esqueço a primeira vez que fui com o pai até a casa do nosso vizinho. Ele Havia comprado rádio antes de nós, e lá chegando fui olhar atrás do rádio pra ver se os cantores estavam ali. Eu não entendia como era possível a voz vir através do fio.
Pois é. Com o rádio veio a propaganda. “Um é pouco, dois é bom, três é demais. Vá às Casas Pernambucanas e compre tecidos para roupas de toda a família”. E tantas outras propagandas induzindo o indivíduo a gastar e os indivíduos começaram a gastar. Gastar mais significava ter que ganhar mais e a mulher teve que ir à luta para ajudar nas despesas do lar.
No início era uma vez por semana para faxinar a casa de alguém. Depois algo mais sério e que tomava mais dias da semana. Por fim um emprego fixo, com obrigações da segunda ao sábado.
Agora os filhos ficavam em casa sob recomendações, faça isso, não faça aquilo, não vá lá, cuide de seus irmãos, faça a lição de casa direitinho. Uma ladainha de bom comportamento. Mas a mãe não estava mais presente.
Apesar da ausência da mãe, a criança, ainda, era feliz. Ela tinha muito respeito aos pais e muito temor a Deus.
Aos poucos o amor que unia a família, foi se transformando em regras e normas e os filhos foram alterando essas regras e essas normas.
Os pais trabalhando fora e os filhos abandonados em casa. Quem poderia tirar suas dúvidas? Onde estava o ombro amigo onde ele chorava? As crianças buscaram os ombros mais próximos, dos amigos, que como eles, também, estavam abandonados em casa.
Uma criança sozinha pensa, mas não faz, duas crianças juntas fazem sem pensar.
O poder público não prestou atenção a essas modificações da sociedade e não cuidou de modificar o sistema de ensino, que exigia a permanência da criança o dia todo na escola. Uma escola modificada para atender essas exigências. Uma escola profissionalizante, ou no mínimo, formadora de interesses. Uma escola que se baseasse na Educação de Rui, proposta ao Congresso, (e não aprovada), em 1885.
O que nós temos hoje? Uma família degradada. Uma religião abandonada. Uma escola desestimulada e desestimulante.
Falta o Amor familiar.
Falta fé em alguma coisa. Qualquer coisa.
Os pais chegam cansados em casa, já pensando no dia seguinte.
Não há diálogo com os filhos, quer seja por conta da estafa, quer seja por conta do distanciamento criado.
As dívidas aumentando por conta do consumismo; nova TV, novo DVD, nova Geladeira, novo carro.
Casa, poucos têm. Mas isso não é importante, o que conta são as aparências.
O ser humano mudou sem se preparar para a mudança. A sociedade mudou sem estruturação. O poder público não atende às mudanças. A Igreja não aceita as transformações. O jovem cresce achando que liberdade é sinônimo de libertinagem. Os meios de comunicação, principalmente televisão, apresentam sexo explícito na novela das seis e garante que isso é cidadania, que os pais é que decidem
Mas, cadê os pais?
Eu ficaria escrevendo dias inteiros sobre o assunto, mas estou velho. Graças a Deus que nós, eu e grande parte de meus contemporâneos, por conta do amor que recebemos quando crianças, conseguimos educar nossos filhos de tal forma que hoje mantêm um comportamento digno.
Eu fico feliz, mas não é isso que eu gostaria. Eu gostaria que todos os jovens, todos os filhos de todos, do Brasil todo, fossem, ainda, tementes a Deus, respeitadores das leis e amassem suas famílias.
Gostaria de voltar no tempo e as mães não precisarem sai para trabalhar fora de casa, ou, o Estado desse educação adequada a todos os jovens, no sentido de atender as necessidades modernas.
Mas... nada mais será como antes. Precisamos estar atentos às mudanças e, embora as aceitando, não nos deixar se enveredar por caminhos que não são aqueles pelos quais aprendemos a trilhar.
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