quarta-feira, 17 de novembro de 2010

À ESPERA DE CRISTO

Há muitos séculos, havia um pais chamado Horan-go-tan-go. Seu povo era feliz. Tudo era paz.
Um dia surgiu um problema com a linha divisória, (imaginária), entre duas glebas e por não haver presidente, governador, prefeito, ou mesmo juiz, nunca havia sido necessário, recorreram ao conselho do morador mais idoso. O ancião mandou que fizessem uma cerca entre as glebas e aconselhou que todos fizessem isso para evitar problemas futuros.
Por esse lampejo de sabedoria resolveram nomeá-lo Conselheiro Mor do país.
No início dava conselhos gratuitamente. Depois achou justo que lhe pagassem um salário e que este fosse cotizado por todos.
Estava criado o primeiro imposto.
Como todos cercaram suas glebas, não havia como passar de um lugar para outro. Recorreram ao Conselheiro Mor e o sábio determinou que uma faixa fosse liberada para a construção da Estrada Oficial.
Para que se fizesse respeitar a determinação, foi necessário contratar guardiões e foi pedido mais dinheiro para o povo.
Mais impostos.
O povo rebelou-se, achou que o ancião estava gagá e nomearam um Conselheiro Mor jovem. Esse dinamizou o governo. Nomeou representante para cada região e pediu mais dinheiro para arcar com mais essas despesas.
Outros impostos.
Aos poucos a população foi notando que ser Conselheiro Mor ou mesmo Representante regional, era um bom negócio e começou a invejar quem ocupava esses cargos.
Iniciou-se um processo de desestabilização dos ocupantes.
Para agradar aos que o apoiavam, o Conselheiro Mor, resolveu nomear parentes desses amigos para cargos que ele teve que criar.
Mais contribuições.
Foi a gota d’água.
Depuseram o Conselheiro Mor e seus representantes e adotaram a monarquia. Não deu certo. Tentaram o socialismo; piorou! Tornaram o país uma república; foi uma tragédia.
Desesperado o povo de Horan-go-tan-go abandonou tudo e cada habitante passou a cuidar de si mesmo.
Negociatas, roubos, tramóias, desvios, vagabundagem e o país parou.
As verbas destinadas aos planos de governo não chegavam ao seu destino e assim ficavam só no papel e fazia-se de conta que tudo estava maravilhoso.
O país parado não gerava renda e a dívida interna atingindo índices jamais vistos antes.
O desespero bateu à porta e resolveram mudar o nome do país, achando que assim, fugiriam, pelo menos, das dívidas internas e trocaram para BRASIL.
Hoje com uma dívida interna impagável, com a máquina transbordando de nomeados, apadrinhados, nomeações secretas, mensalão e tantas outras maracutáias, esse povo que era feliz vive à espera que Cristo desça para tomar as rédeas do governo e traga seus doze discípulos para ocupar os ministérios.

Enviado dia 01/12

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