quarta-feira, 17 de novembro de 2010

MULHERES

MULHERES.

Segunda feira passada, dia 8, foi o DIA DA MULHER e eu amanheci procurando os números de telefones de todas as mulheres que fazem parte de minha vida, para cumprimentá-las. São as irmãs, cunhadas, sobrinhas e colegas, todas de uma forma ou de outra, mais ou menos, são importante em minha vida.
Vocês devem ter notado que não citei a mulher mais importante de minha vida: minha mãe. Pois, não o fiz porque ela sofre Alzaihmer faz alguns anos e está incapacitada de reconhecer quem quer que seja, embora eu jamais tenha esquecido que ela é minha mãe.
Antes que eu iniciasse as ligações o telefone tocou e um grande amigo, quase irmão, estava do outro lado da linha e percebi que ele estava quase sem voz, falava com dificuldade. Perguntei o que estava acontecendo e ele em tom melodramático disse:- Você não sabe, fizeram mal pra minha menininha!
Eu:- Fizeram mal como? Foi estuprada?
-Não, cara! Ela está grávida! Do namorado!
Aí eu falei pra ele:- Pô cara, dê graças a Deus. Você vai ser avô. Sua filha está, definitivamente, se diplomando como mulher. O namorado dela é um baita cara. E tem mais; ela fez o que todas as meninas na idade dela fazem, a diferença é que ela descuidou-se. De um beijão nela e diga pra ela que se você não quiser assumir o neto, eu assumo, já estou escolado com os três que tenho.
NASCE UMA MULHER.
Desliguei e fiquei pensando que notícia linda. No DIA DA MULHER ele recebeu a notícia que sua filhinha, como ele a chama, também está tornando-se mulher adulta.
Eu estava escrevendo esta crônica para falar do assunto quando o telefone toca novamente e ao atender recebi uma notícia que, embora esperasse, não queria receber: minha mãe falecera.
Fiquei pensando nela. Enviuvou-se ainda jovem, aos cinqüenta e um anos e ficou , na época, com três, dos nove filhos, menores e seis solteiros. Não esmoreceu. Chorou em silêncio muitas vezes a ausência saudosa de meu querido pai. Na década de setenta foi premiada com o título de MÃE DO ANO. Chorei muito de alegria.
Vieram os netos, chegaram os bisnetos e ela do seu jeito de quem não estava gostando muito do que via, internamente transbordava de alegria e sua felicidade transparecia mais ainda todo o final de ano, quando todos os filhos, noras, genros, netos, bisnetos e muitos amigos, enchiam a casa por quatro ou cinco dias para as festas natalinas.
Ela me criou na distância máxima do som de sua voz, como eu disse em certa ocasião. A desobediência era premiada com boas palmadas quando voltava para casa e longe de me tornar um traumatizado , cresci norteado pelo senso da responsabilidade e respeito.
Quis Deus que ela partisse exatamente no DIA DA MULHER, pois assim, embora jamais ela viesse a ser esquecida, toda a mídia, falada, escrita ou televisada vai me relembrá-la para sempre.
No Dia da Mulher morreu minha mãe.
MORRE UMA MULHER
O céu está enfeitado, os anjos cantam loas e meu pai está lá, esperando-a para a eterna união.
Até breve mãe.
João Menon

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